Ao ler os primeiros capítulos do Livro de Josué, percebe-se claramente a existência de duas esferas de existência: a divina e a humana. Deus é o condutor da história. É ele que estabelece a missão, que determina a liderança e os missionários, que estabelece a regra de existência e que garante o pleno sucesso.
Não importa se o maior líder da história dos hebreus morreu. Não importa a imponência dos inimigos, nem a força dos seus exércitos. Não importa a força do povo hebreu, nem sua capacidade bélica. Não importa se os moradores da terra estão protegidos por fortes muralhas. Deus apenas estabelece: “como prometi a Moisés, todo lugar onde puserem os pés eu darei a vocês” (1:3).
Entretanto, Josué não espera que Deus realize o seu trabalho. Primeiro, porque Deus define o encargo: “agora, pois, você e todo este povo preparem-se para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que eu estou para dar aos israelitas” (1:2). Segundo, porque Josué, como servo de Moisés, já compreendeu a forma de Deus agir.
O Deus de Josué é o Deus que intervém. Ele interfere na história para que sua vontade seja estabelecida. Todavia, a participação humana é essencial. Josué age a fim de levar o povo a terra, mas é Deus quem a dará ao povo.
Josué manda espias. Josué vai com o povo. Josué chega ao rio e depois a Jericó. Mas, Deus é que abre o rio. Deus é que derruba as muralhas.
É tão clara a presença do divino no meio humano que até a prostituta testemunha dEle: “sei que o Senhor lhes deu esta terra. Vocês nos causaram um medo terrível, e todos os habitantes desta terra estão apavorados por causa de vocês. Pois temos ouvido como o Senhor secou as águas do mar Vermelho perante vocês quando saíram do Egito...” (2:9-10).
É incrível como não percebemos que Deus continua agindo da mesma maneira. Na nossa vida presenciamos diariamente a ação do divino. Talvez os eventos miraculosos de Deus na nossa vida não sejam tão extraordinários como os realizados com Josué. Talvez nossa missão não seja tão assombrosa e difícil como a do povo hebreu.
Entretanto, não podemos negar que Deus continua agindo em nossa vida. Ele estabelece missão, as regras e garante pleno sucesso. Da mesma forma, não é incomum as pessoas testemunharem do nosso Deus e de como Ele tem agido nas nossas vidas.
A clara declaração da existência plena de Deus na história humana de Josué precisa ser realidade na nossa própria vida.
Deus não abrirá literalmente o rio Jordão para passarmos a pés enxutos, nem derrubará as muralhas da nossa cidade, mesmo porque isso não é mais necessário. Mas, Ele continuará intervindo permanentemente para que sua perfeita vontade seja realidade em nossa vida.
Esse é mesmo o Deus que intervém.

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